12 de fevereiro de 2010

Memória: "O mundo se levanta contra Bush e a guerra pelo petróleo"

Em 15 de Fevereiro de 2003, uma inédita mobilização global da forças progressistas, humanitárias, de esquerda, ecológicas, de direitos humanos, islâmicas, sindicais etc, chacoalhou simultaneamente as grandes cidades do mundo.

Nova York, São Paulo, Buenos Aires, Jerusalém, Roma, Seoul, Bagdá, Los Angeles, Rio de Janeiro, Cairo, Londres, Durban, Sydney, Paris e centenas de outras metrópoles em todos os continentes tiveram as ruas tomadas por manifestantes que se posicionavam contra os ataques, se hoje sabemos que as manifestações não puderam evitar a guerra, também temos consciência de que o desgaste que as manifestações provocaram nas forças agressoras foram imensos, este foi uma marco nas manifestações globais contra o imperialismo e a opressão e o resultado da impressionante mobilização ficou para a história, mudando a vida de muitos militantes que participaram dos atos e desencorajando novas agressões imperialistas mundo afora.

Em memória a este grande dia para os lutadores e lutadores da humanidade preparamos uma breve “exposição digital” sobre os atos, segue abaixo:

Dois dos cartazes convocando a manifestação em São Paulo e Campinas:




O Manifesto do Fanzine Minduca(2003):

“Manifesto contra a guerra"

Não aceitamos um ataque dos Estados Unidos da América ao povo Iraquiano.

Entendemos que o ditador Sadam Hussein é um assassino, não defendemos seu governo que oprime o povo iraquiano e já atacou cidadãos inocentes, porém entendemos também que nem os EUA nem o Reino Unido possuem legitimidade para atacar um território estrangeiro sob a desculpa de um manto humanitário, quando todos sabemos que os reais interesses são de cunho imperialista.

Não aceitamos trocar sangue por óleo; o principal afetado pela guerra, assim como já é pelo embargo, será o sofrido povo iraquiano.

O mundo precisa urgentemente de mais igualdade, melhor distribuição de riqueza, comida e remédios, não de bombas e mísseis balísticos.

Não derramar sangue por petróleo é nosso apelo!

Pelos motivos apresentados acima dizemos: Não à guerra, Não à morte de inocentes, NÃO ao imperialismo, NÃO à política de dominação imposta ao mundo pelo Sr. George Bush, que não respeita tratados internacionais e quer que o restante do mundo os respeite

pela força de um exército equipado com armas milhares de vezes mais poderosas do que as que o governo iraquiano pode sonhar em possuir; sabemos que quem possui armas de destruição em massa e já provou que tem coragem de usa-las é o governo estadunidense!

Outra guerra no Iraque NÃO!

Fotos:


 
 
 




Assista no Youtube o Video clipe, BOOM da Banda System Of A Down, todo o clipe rola em cima das imagens das manifestações do 15 de fevereiro de 2003

Notícia da época (UOL NOTÍCIAS):

Manifestações antiguerra reúnem milhões no mundo inteiro



15/02/2003

LONDRES (Reuters) - Mais de quatro milhões de manifestantes uniram forças ao redor do mundo no sábado para enviar uma dura mensagem ao presidente dos EUA, George W. Bush: "Dê uma chance à paz e não se apresse para entrar na guerra contra o Iraque."

Em centenas de cidades ao redor do mundo, de Bangkok a Bruxelas, de Camberra a Calcutá, os manifestantes tomaram as ruas para ridicularizar Bush como um instigador da guerra sedento de sangue.
Na maior demonstração do "poder popular" desde a Guerra do Vietnã, eles desdenharam a posição de Bush.

"Esta é uma guerra somente sobre petróleo. George W. Bush nunca deu a mínima para direitos humanos," disse o prefeito de Londres, Ken Livingstone, durante a manifestação gigante em Londres.

Cerca de um milhão de pessoas marcharam através da capital britânica, na maior manifestação pela paz na histórica política do país.

"Dê uma chance à paz, dê uma chance à paz," gritava o pacifista americano Jesse Jackson, para delírio da multidão.

A estrela de Hollywood Tim Robbins, manifestou o alcance global dos protestos, afirmando: "Este movimento pela pez está unido."

Em Roma também houve comparecimento gigante. Sob um mar de bandeiras com as cores do arco-íris, um milhão de pessoas caminharam pelas ruas. Aposentados grisalhos e adolescentes com cabelos rastafari marcharam lado a lado em uma atmosfera de carnaval.

Na França, um dos maiores oponentes à guerra, um manifestante disse: "Os americanos estão estressados pelo 11 de setembro e agora estão ficando totalmente descontrolados."

O ministério do Interior francês estimou que pelo menos 300.000 pessoas participaram dos protestos no país. A oposição da França à guerra tem apoio na Europa de Berlim, onde cerca de 500.000 pessoas foram ao maior protesto na Alemanha desde o final da Segunda Guerra Mundial.

Os alemães levavam cartazes com os dizeres "Não à guerra por petróleo"; "Faça Amor Não a Guerra"; e "Guerra? Não, Obrigado!"

"A guerra...somente enfraquecerá o povo iraquiano e manterá Saddam Hussein no poder," disse Roselyn Laforge, assistente social belga.

A mesma onda de "antiamericanismo" cobriu o norte e o leste da Europa, que já está profundamente dividida sobre um ataque ao Iraque.

"A maior ameaça à paz são os Estados Unidos, não o Iraque," disse um aposentado na Finlândia.

Um cartaz na Rússia mostrava uma fotografia de Bush com as palavras: "Assassino: Saia das terras dos outros."

"Mais florestas, menos Bushes," dizia um cartaz em Estocolmo. "Bush = câncer do planeta," dizia outro em Barcelona.

Na Croácia, centenas de manifestantes mascarados queimaram uma bandeira dos EUA na frente da embaixada norte-americana em Zagreb.

ÁSIA E OCEANIA

O dia começou com uma série de manifestações na Ásia. No Japão, único país que já foi atacado com armas nucleares, no final da Segunda Guerra Mundial, cerca de 300 pessoas se reuniram em frente à Embaixada dos EUA em Tóquio, gritando frases contra a guerra.

"O que os Estados Unidos estão fazendo é errado. Estamos à beira da Terceira Guerra Mundial," disse a dona de casa japonesa Mariko Ayama.

Australianos também fizeram o maior protesto no país desde os atos contra a Guerra do Vietnã, há 30 anos.



MUNDO ÁRABE

"O mundo inteiro está contra esta guerra. Somente uma pessoa quer," disse o adolescente muçulmano Bilqees Gamieldien na Cidade do Cabo.

No mundo árabe, dezenas de milhares de sírios e palestinos moradores de Damasco tomaram as ruas para manifestar oposição a uma guerra dos EUA contra seus colegas árabes iraquianos.

Cerca de 10.000 pessoas carregando bandeiras do Iraque, da França e da Alemanha, além de fotos de Saddam Hussein, fizeram uma passeata pacífica, mas barulhenta, através de Beirute, capital do Líbano.

O vice primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, fez o seu protesto solitário na cidade italiana de Assis, onde rezou em silêncio em frente ao túmulo de São Francisco, patrono da paz.

"O povo do Iraque quer paz e milhões de pessoas ao redor do mundo estão se manifestando pela paz, então que todos trabalhemos pela paz e pela resistência à guerra," disse.

TUMULTO EM ATENAS

O único problema sério aconteceu em Atenas, capital da Grécia, onde manifestantes queimaram um carro e quebraram janelas de lojas e de um banco no centro da cidade, durante passeata para a Embaixada dos EUA que, conforme a polícia local, reuniu 100.000 pessoas.

Policiais gregos atiram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão e prenderam 13 manifestantes. Quatro policiais sofreram ferimentos leves.
(http://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2003/02/15/ult27u31612.jhtm)


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Um comentário:

  1. Ainda bem que tem gente conciente que lembra deste tipo de coisa! valeu camarada

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