2 de março de 2010

Elitismo da UNIFESP torna o processo seletivo ainda mais excludente!

Quarenta e cinco por cento das vagas oferecidas pelo SiSU do governo federal – o novo processo de ingresso nas universidades federais – estão ociosas; quem ouve esta notícia pode pensar estar em um país onde a educação é tão democrática que sobram milhares de vagas em universidades de praticamente todos os estados, porém isso é um reflexo de uma realidade excludente que atinge seu ápice na Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, e demonstra toda a imbecilidade do Ministério da Educação do governo Lula.

Entenda, todo vestibular é excludente, acabar com ele é uma tarefa, porém, sob esta desculpa o governo federal e em especial a UNIFESP criaram um sistema ainda pior, o MEC criou as “três chamadas” para quem se inscrevesse em determinada IES, já começou mal, pois bastaria uma inscrição simples – todos se inscrevem nas instituiçãoes que estão interessados e estas vão realizando chamadas até preencherem suas vagas - ja a UNIFESP foi além e determinou uma nota mínima para o ingresso, veja, em outras universidades federais este critério não existe e de fato ele não é necessário pois a própria classificação se encarrega de colocar as notas mais baixas no final da lista; porém a UNIFESP considerou ele necessário por um motivo óbvio, manter a elite nas salas da Universidade e os pobres do lado de fora, quem sabe vendendo cachorro-quente ou qualquer quinquilharia para a abastada classe que merece ingressar na universidade pública e gratuita, o absurdo é que no campus Guarulhos, por exemplo sobraram dezenas e dezenas de vagas para história e ciências socias, cursos que alguns amigos e minha companheira almejavam, um destes amigos atingiu a nota máxima em Redação, uma excelente nota em Humanas e uma boa nota em Ciências da Natureza, porém uma nota entre boa e regular na prova de Matemática / exatas, com este resultado ele não pode sequer se inscrever para a seleção – coisa que no vestibular do ano passado organizado pela própria UNIFESP não aconteceria pois o critério para concorrer as vagas era simplesmente não “zerar” em nenhuma matéria – o mínimo que o candidato deveria tirar em cada prova ( disciplina ) era algo em torno de 420 pontos, isso é simplesmente mais um critário para manter dentro das instituições públicas quem pode ter acesso durante toda a vida a uma instrução de qualidade, cursos de línguas, aulas de reforço, viagens ao exterior etc.
Vamos ver o que os altos caciques da UNIFESP vão fazer para preencher as vagas entre uma elite que não quer vir para o Pimentas e manter fora da universidade os pobres que moram em seu entorno, para concluir este post fica registrada minha indignação com o MEC que culpou, não seu estúpido sistema de seleção e sim os estudantes, alegando que a culpa por existirem vagas ociosas é de “estudantes sem responsabilidade social que se inscreveram sem a intenção de matricular-se”. 
Segue matéria do Jornal "O Estado de São Paulo" sobre o tema:

Federais ainda têm 45% das vagas

Baixo número de matrículas após 2 seleções com a nota do Enem surpreendeu o MEC; inscrição acaba amanhã.

Luciana Alvarez ( O Estado de São Paulo)

A terceira e última etapa de inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para instituições federais de ensino superior começou ontem com quase metade das vagas ainda disponíveis. Das 47,9 mil oferecidas, sobraram 21.701 vagas (45,3% do total) após duas rodadas de matrículas em todas as 51 instituições que participam da seleção.

As inscrições no site vão até amanhã e os resultados serão divulgados na sexta-feira. Pela primeira vez a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é usada como forma de seleção unificada para parte das universidades federais.

O Ministério da Educação atribuiu o fenômeno à falta de compromisso social de muitos estudantes, que teriam feito a inscrição no sistema online mesmo sem a intenção de se matricular nos cursos. Segundo o ministério, o baixo índice de matrículas confirmadas surpreendeu, pois o mesmo sistema é utilizado há alguns anos no Programa Universidade Para Todos (ProUni) sem que tivesse havido um número significativo de inscrições não confirmadas.

O MEC ressaltou, porém, que não haverá vagas ociosas porque foi instituída uma lista de espera após a terceira etapa. Candidatos não aprovados ao fim desta fase podem confirmar que mantêm o interesse na vaga que disputaram e entrar para a lista de espera.

Mesmo com poucos alunos matriculados, a maioria das instituições decidiu manter o calendário acadêmico. As aulas para o curso de Educação Física da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) começaram oficialmente ontem no câmpus de Santos com apenas 12 estudantes matriculados - ainda há 36 vagas abertas.

Na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pelotas, no entanto, 82% das vagas não foram preenchidas e o início das atividades foi adiado em duas semanas (mais informações nesta página).

Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a que tem maior número de vagas ainda disponíveis, a falta de estudantes em alguns cursos não alterou o início das aulas, marcado para amanhã. "Temos o período de recepção de calouros, depois apresentação da instituição, aula magna. Não haverá nenhum prejuízo de conteúdo", afirmou a reitora da UFMT, Maria Lucia Cavalli Neder.

Em termos gerais, a universidade conta hoje com 53% das vagas preenchidas. Em Enfermagem, das 265 vagas oferecidas, 207 não foram preenchidas até agora - o que equivale a 78% do total.

"Não posso dizer que é uma surpresa, mas esperávamos um número um pouco maior", afirmou a reitora.

Segundo Maria Lucia, grande parte dos estudantes de fora do Estado que se inscreveram no Sisu não compareceu para efetivar a matrícula, especialmente nos câmpus do interior. "Diferentemente do que era esperado por muitos, não ocorreu uma "invasão" de gente de fora", disse. De acordo com suas previsões, a UFMT vai manter a média de 20% de estudantes de outros Estados.

Para Maria Helena Guimarães de Castro, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), a falta de matrículas em um número tão grande de cursos pode ter outras razões além da desistência por causa da distância. "Há cursos novos, muitas vezes sem demanda."

"Os alunos também sofreram com os atropelos do processo, tiveram de rever o que fazer a cada etapa", avalia Maria Helena. "Muitos, por exemplo, podem ter preferido uma bolsa do ProUni."

PROCESSO

Durante todo o processo do novo Enem, os números ficaram aquém do esperado pelo próprio MEC. Inicialmente, o ministério projetava 7 milhões de inscritos na prova, mas 4,1 milhões se inscreveram.

Com o vazamento do exame, denunciado pelo Estado em outubro, e o adiamento da prova, muitas instituições federais desistiram de usar a nota do Enem. O resultado foi uma abstenção recorde de 37,7%; só 2,6 milhões fizeram a prova. 

Um comentário:

  1. é verdade muita sacanagem gente querendo estudar e vaga sobrando!

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