15 de abril de 2010

Centenas de brasileiros correm risco de deportação pelo apartheid israelense

Centenas de brasileiros em risco de deportação

Acusado de “limpeza étnica”, Israel põe em vigor decreto que afeta palestinos

Em uma medida que promete gerar ainda mais tensão no Oriente Médio, entrou em vigor ontem um novo decreto de Israel que poderá provocar a deportação de dezenas de milhares de palestinos da Cisjordânia – entre eles, centenas ou até milhares de brasileiros.

As normas ampliam lei anterior, dando poderes aos comandantes militares israelenses para expulsar do território palestino ocupado ou condenar a uma pena de até sete anos de prisão o que chamam de “infiltrados”. Segundo a antiga definição, seriam pessoas originárias de “países inimigos” (Jordânia, Egito, Líbano e Síria) e que entraram ilegalmente na Cisjordânia. Agora, estão incluídas pessoas que “se encontram na região e não possuem autorização de acordo com a lei” – ou seja, um documento expedido pelas Forças Armadas de Israel.

Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que Israel interrompeu no ano 2000 a emissão de documentos para quase todos os palestinos pertencentes a dois grupos específicos – e, consequentemente, inúmeras pessoas não conseguem regularizar suas situações.

O primeiro grupo é de habitantes da Faixa de Gaza e seus filhos que vivem há tempos na Cisjordânia e não recebem permissão de modificar seus domicílios. O segundo grupo é o de maridos ou mulheres de palestinos que entraram na Cisjordânia com vistos temporários e não conseguiram vistos permanentes.

Analistas argumentam que a definição ampla e vaga de o que são “infiltrados” poderá provocar uma “deportação em massa”.

A nova definição é tão genérica que torna qualquer pessoa na Cisjordânia um criminoso”, denunciou comunicado do Centro Palestino para os Direitos Humanos.

Dez organizações de direitos humanos israelenses assinaram uma carta ao ministro da Defesa, Ehud Barak, pedindo o cancelamento da nova medida, afirmando que ela “é ilegal e permite que se prejudique de maneira extrema e arbitrária um grande número de pessoas”. O dirigente palestino Nabil Sha’ath, por sua vez, qualificou o decreto como “a pior medida racista” adotada por Israel. O presidente da Federação Palestina do Brasil, Elayyan Aladdin, concorda:

– O que vem acontecendo há muito tempo é uma limpeza étnica. Não existe lá uma instituição que proteja o direito dos palestinos. Eles são ocupados por um exército, são tratados com muito racismo e discriminação.

Entre brasileiros na região, maior comunidade é gaúcha

Dados oficiais indicam que entre 4 e 5 mil cidadãos brasileiros morem na Cisjordânia – estima-se, porém, que o número seja muito maior, entre 15 e 20 mil pessoas, sendo que a maior comunidade é de gaúchos. Aladdin entrou em contato ontem com vários deles, mas nenhum aceitou dar entrevistas por medo de represálias. Apreensivo pelos amigos e parentes em território palestino, o empresário Nessim Samara, 58 anos, de Santa Maria, ressalta que o problema não é novo.

– Eu nasci e cresci na Palestina. Saí em 1971, quando tinha 18 anos. Agora, só posso voltar à terra onde nasci, cresci e estudei com visto. Eles carimbaram meu passaporte e me deram 30 dias para ficar lá – conta.

O porta-voz do exército de Israel afirmou que “a lei na Judeia e em Samária (nome bíblico da Cisjordânia, utilizado pelas autoridades israelenses) também possibilitava no passado a expulsão de ilegais, e que o objetivo da emenda é proporcionar um controle judicial ao procedimento de expulsão de ilegais”.

ELAYYAN ALADDIN, Presidente da Federação Palestina do Brasil

O que vem acontecendo há muito tempo é uma limpeza étnica. Os palestinos são tratados com muito racismo e discriminação.
Comunicado do Centro Palestino para os Direitos Humanos

"A nova definição de ‘infiltrados’ é tão genérica que torna qualquer pessoa na Cisjordânia um criminoso."
Jerusalém

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