7 de junho de 2010

Cineasta brasileira Iara Lee quer levar Israel à Justiça internacional

(Portal Terra)


NOVA YORK - Após passar pelo ataque de Israel, ser enviada à Turquia e deportada aos Estados Unidos, a ativista e cineasta brasileira Iara Lee conseguiu voltar aos seus projetos. Segundo afirmou em entrevista ao Terra, o objetivo de seu trabalho agora é "levar Israel à lei internacional". "Estamos analisando as imagens do ataque para ver o que pode ajudar nas investigações", disse.
Iara estava na embarcação de ajuda humanitária atacada por tropas de Israel ao tentar entrar na Faixa de Gaza, na madrugada da última segunda-feira. O grupo de mais de 500 pessoas, de países do mundo todo, foi levado a Israel. As horas passadas na cadeia do país foram de questionamentos e pressão, segundo ela. "Parecia que eu estava lá há um mês". A ativista e cineasta desembarcou nos Estados Unidos na tarde de sexta-feira.
Ela disse estar surpresa com o questionamento do mundo "de quem deu o primeiro tiro, isso não é relevante". O que importa, segundo Iara, é que eram militares contra civis.
Apesar de sua convicção, Iara confessou não ter imagens que incriminem os soldados. Mesmo assim, ela espera justiça por parte da Organização das Nações Unidas (ONU).
A operação surpreendeu os ocupantes do barco, que não esperavam a invasão em território internacional. "A gente sabia que Israel ia tentar bloquear, mas não que eles iam entrar e matar as pessoas", disse Iara sobre o ataque que deixou nove mortos. Segundo ela, muitos ativistas estavam certos de que o grupo chegaria a Gaza e "lá as pessoas iriam abraçá-los e agradecer".
De acordo com a ativista, o confronto foi totalmente "desproporcional". "Nós estávamos com cabos de vassoura, cadeiras, estilingues, qualquer coisa que a gente via na frente para se defender. Eles estavam com armamentos pesados e exagerados, como se fossem para a Terceira Guerra Mundial", disse ela. Depois do anúncio no megafone de que os soldados israelenses haviam tomado o controle da embarcação, os ativistas não resistiram mais.
A cineasta está confiante de que a repercussão do ocorrido na mídia internacional possa colaborar para o término do bloqueio de Israel à gaza. "Vários especialistas me falaram que os caras fizeram tanta coisa errada que vai cair o bloqueio", disse. Para ela, "a ficha da população caiu para a essência do problema e o mundo inteiro começa a ver que o bloqueio é o problema".
A injustiça é uma das motivações de Iara na luta pela paz. Sua história com Israel começou há quase sete anos, "já me deportaram e já me prenderam. (...) Estou na lista negra", disse. "Quanto mais me tratam de forma injusta, mais me apego à causa", afirmou ela sobre defender os direitos dos palestinos. "Eles são muito oprimidos".
As imagens recolhidas na viagem farão parte de seu documentário no qual Iara está trabalhando "24 horas por dia" para lançá-lo o mais rápido possível.
Sobre voltar a Gaza, a ideia passou pela sua cabeça quando soube que o Egito havia aberto a fronteira. "Agora seria perfeito eu ir para lá e começar a fazer as entrevistas e a documentação, mas eu não posso estar aqui e estar lá, em vários países ao mesmo tempo".
Ela admite que suas ambições "são grandes", quase não tem vida pessoal ou social e "sua vida é o trabalho". A família muitas vezes não entende o porquê ela quer viver assim, se poderia ter uma vida normal; para Iara "a vida é tão curta que tem que fazer algo para ajudar seus irmãos. (...) Não dá para ver tanta coisa acontecer e não fazer nada, não dá para ficar assistindo tudo".
Mas nem sempre foi assim. Quando ela optou pela carreira de cinema, ainda não tinha a ideia de usar a arte para lutar por uma causa maior. Foi com o tempo, conforme amadureceu que percebeu que poderia utilizar o cinema para melhorar algumas coisas no mundo. "A gota d'água foi a invasão ao Iraque", disse Iara que lutou contra a medida dos Estados Unidos. "De pinguinho em pinguinho, quem sabe a gente não enche o balde?". Iara viaja uma vez ao ano ao Brasil para ver sua mãe, que já acostumou com as aventuras da filha. Em Nova York, ela vive com seu marido, George Gunt, seu "parceiro" e "amigo'.

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