7 de junho de 2010

Rede Internacional de Judeus Antissionistas divulga nota sobre os recentes acontecimentos na Palestina

A Rede Internacional de Judeus Antissionistas (IJAN) condena veementemente a barbárie do ataque israelense nesta madrugada (31/5), ocorrido em águas internacionais, contra um comboio marítimo humanitário, durante o qual os soldados israelenses atacaram com munição real civis pacíficos a bordo, matando no mínimo 15 pessoas, segundo o exército israelense, talvez muito mais e ferindo inúmeras pessoas.
Nos honra e inspira o compromisso e o sacrifício das pessoas a bordo destes navios. Um deles foi recentemente rebatizado Rachel Corrie em homenagem à ativista morta por uma escavadora tentando impedir a demolição de uma casa palestina em Rafeh em 2003.
Este barco nos lembra a todos que a coragem e a perseverança dos navios que vão rumo a Gaza segue uma tradição internacional de engajamento cívico total e compromisso ético que ecoa e responde à perseverança e à coragem de um século da resistência palestina à limpeza étnica e ao colonialismo.
Este ataque aos navios que transportam 10 mil toneladas de ajuda humanitária, como materiais escolares, suprimentos médicos e materiais de construção, é um ato de pirataria em águas internacionais. Fazemos um chamado a todos os governos para acabar com a impunidade de Israel, fazer cumprir o direito internacional e tornar Israel responsável por suas violações recorrentes. Além disso, este ato de pirataria foi levado a cabo com o objetivo de manter um bloqueio a Gaza, imposto por Israel com a participação do governo egípcio e o apoio dos Estados Unidos, um bloqueio que é propriamente um crime de lesa-humanidade.
bloqueio criminal é um aprofundamento de uma crise humanitária terrível com desemprego massivo, pobreza extrema e insegurança alimentar que afetam mais de 1,5 milhão de pessoas, cuja maioria é formada por refugiados da limpeza étnica da Palestina em 1948 que agora estão presos no maior campo de concentração do mundo. Os palestinos em Gaza são impedidos de reconstruir suas casas destruídas por Israel no massacre de 2009 e proibidos de importar produtos como brinquedos e chocolates como punição por terem eleito democraticamente um governo que se negou a colaborar com a ocupação. Como potência ocupante, Israel deveria ser considerado responsável por suas flagrantes violações dos direitos humanos dos palestinos em Gaza. Todos os Estados possuem a obrigação de fazerem tudo o que puderem para cumprir o direito internacional e punir as flagrantes e recorrentes violações de Israel, como está detalhado no informe Goldstone assim como em comunicados de muitas organizações de direitos humanos e organismos internacionais.

Como as autoridades israelenses emitem informes contraditórios sobre o número de vítimas durante o ataque, fazemos um chamado a Israel para que permita de forma imediata e independente o acesso internacional aos feridos e corpos dos mártires, liberte os seqüestrados e deixe transcorrer a navegação dos navios sem serem perseguidos no seu caminho a Gaza.

Chamamos a atenção da cobertura islamofóbica da grande mídia deste engajamento civil como um conflito entre Israel e o mundo islâmico. É um conflito entre Israel e um movimento de solidariedade internacional unido e plural que inclui pessoas de todas as crenças se colocando juntos pacificamente contra uma repressão violenta. Havia 750 pessoas com essa consciência nos navios, de 40 diferentes países e entre elas 35 políticos, a bordo.

Fazemos um chamado aos Estados cujos navios foram atacados, e em especial à Turquia, a reagirem de uma forma que corresponda à gravidade das ações de Israel, indo além de endurecimentos verbais como já foram feitos na ocasião de atrocidades anteriores. Apesar da retórica inflamada, o comércio entre Israel e a Turquia cresceu 27% ano após ano, segundo estatística do primeiro trimestre de 2010. Chamamos a Turquia a romper relações diplomáticas, suspender todos os acordos comerciais e cortar totalmente os vínculos militares com o Estado de apartheid de Israel.

Fazemos um chamado à Suíça para convocar, como é sua obrigação, as Altas Partes Contratantes da IV Convenção de Genebra para discutir as recorrentes violações de Israel do direito internacional e torná-lo responsável. Que o mundo não fique em silêncio mais uma vez frente a um povo abandonado.

Ainda mais importante, fazemos um chamado à sociedade civil de todos os cantos e partes e a nós mesmos a redobrar nossos esforços para romper o bloqueio a Gaza, intensificando nossas campanhas de boicote, desinvestimento e sanções (BDS), colocando-nos de forma solidária e perseverante com a resistência palestina, tornar Israel responsável por suas transgressões recorrentes e pôr um fim à ocupação, à colonização e ao apartheid na Palestina.

Também chamamos os judeus a reconhecerem neste ataque violento e assassino uma pequena parte de um padrão maior e inconfundível de violência interminável, repressão punitiva, maldade gratuita, auto-isolamento e ódio revelados pela direção histórica do sionismo.

Constrangido pelas inevitáveis conseqüências de sua lógica colonial, o sionismo não é um renascimento da vida judaica, mas uma profecia auto-realizável de auto-destruição. Os funcionários israelenses estão mais preocupados em evitar que deficientes físicos em Gaza tenham cadeiras de rodas que no bem-estar de seus próprios cidadãos, nós instigamos vocês que não há futuro para o sionismo e sim seu descenso gradual em mais violência e brutalidade.


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