21 de dezembro de 2010

Reblogando: O verdadeiro anti-semitismo

Anti-semitismo é um termo inexato para descrever a perseguição sofrida por judeus na Europa, em especial durante o século XIX.
O termo é inexato porque a maioria dos judeus na Europa são descendentes de convertidos aos judaísmo no século IX e X. e principalmente dos khazares.
Os Khazares constituíam um império de tribos turcas na Ásia central e Rússia, que adotou o judaísmo como religião oficial do império, dando origem à população judaica na Europa oriental, em especial Rússia e Polônia.
A perseguição contra judeus na Europa foi motivada por questões religiosas, políticas e sobretudo econômicas.
A situação atual modificou-se de forma radical.
Os judeus gozam de situação privilegiada em termos econômicos, culturais e políticos. Não sofrem restrições de acesso a postos importantes e cobiçados.
Hoje, são os palestinos, árabes e muçulmanos, as grandes vítimas da perseguição, discriminação e massacres nas mãos dos novos anti-semitas – os “sionistas” e simpatizantes.
Enquanto muitos estudiosos questionam a origem semita dos atuais judeus, não há dúvida alguma de que os árabes (gênero) e os palestinos (espécie) são povos semitas, que nunca abandonaram sua terra, muito menos sua história na região.
O Estado sionista não apenas ocupou a Palestina Histórica e expulsou a maioria do seu povo desde 1948, mas discrimina os palestinos que continuam vivendo em suas casas e terras no que é hoje conhecido como Israel.
Exemplo disso é uma declaração recente feita por centenas de rabinos israelenses. O “decreto” religioso proíbe aluguel ou venda de casas para cidadãos árabes que vivem em Israel e ameaça aqueles que violarem essa ordem de serem isolados “excomungados” e punidos.
Segundo a bula religiosa, “qualquer um que venda ou alugue casa para árabes causa grande prejuízo aos judeus, uma vez que os goym tem estilo de vida diferente do nosso e o objetivo deles é nos prejudicar sempre”.
Até hoje, mais de trezentos rabinos influentes em Israel assinaram o decreto.
O chefe do movimento, rabino Shmuel Eliahu, da cidade de Safad, é conhecido por suas declarações e posições racistas contra a minoria palestina em Israel.
O que causou o movimento do rabino é a presença de alguns alunos árabes, que estudam em uma faculdade local e são vítimas de agressões racistas diárias por parte da comunidade judaica da cidade.
A solução encontrada pelos religiosos judeus é proibir os árabes de morar na cidade.
Vale lembrar que Safad é uma cidade palestina, construída pelos cananitas, há três mil anos e seu nome em aramaico significa Fortaleza. Situa-se no litoral norte da Galiléia.
No século XVI, um pequeno grupo de judeus religiosos, fugindo da perseguição na Espanha e em Portugal, após a expulsão dos árabes da Andaluzia, instalou-se na cidade. Eles viviam em harmonia e paz com os árabes-palestinos da cidade até o início do século XX.
A chegada dos novos imigrantes sionistas, com a intenção de expulsar os nativos e criar um Estado exclusivo para os judeus em toda Palestina, deu início a um novo capítulo na História da cidade e da região.
Safad foi ocupada no início de maio de 1948 por forças militares isarelenses, poucos dias antes da criação do Estado judeu.
Sua população árabe-palestina foi expulsa e suas casas foram destruídas. A população de várias aldeias circunvizinhas foi massacrada, como por exemplo, as aldeias de Saasa, Ein Zeitun e várias outras localidades.
Nas ruínas dessas aldeias, os sionistas construíram fazendas para os imigrantes judeus recém-chegados, parques nacionais ou simplesmente deixaram a terra abandonada.
Safad, hoje, é uma cidade totalmente judaica. Os árabes nativos da região não apenas foram expulsos e proibidos de retornar a suas terras, mas são proibidos de comprar ou alugar casas e terras na cidade.
Para os religiosos judeus, a proibição baseia-se no Torah. Dizem que no Torah está escrito que “Deus deu a terra de Israel ao povo de Israel. O mundo é tão grande e Israel tão pequena, mas todos a cobiçam. Isso é injusto”. São as palavras do rabino Yusef Sheinin, um dos líderes do movimento.
A “justiça” desse rabino é estranha. Ele prega não apenas expulsar um povo de sua pátria, mas discriminar a minoria desse povo que ainda vive na sua terra.
O que o mundo não deve aceitar e permitir é uma “justiça” desse naipe, que ainda usurpa o nome de Deus para encobrir práticas de ódio.
Outro rabino do assentamento Beit Il, dentro dos territórios palestinos ocupados desde 1967, líder do movimento Gush Emunin, Shlomo Aviner, declarou que “os árabes são 25% dos cidadãos de Israel e não devemos permitir que criem raízes aqui”.
Os palestinos não precisam criar raízes na terra, porque suas raízes são a própria terra. A cidade de Safad é exemplo disso: uma cidade cananita milenar, com nome aramaico (Aram = Síria) e alma árabe, onde viviam antes da invasão dos sionistas, muçulmanos e cristãos e judeus, em um mesmo espaço, com respeito e harmonia.
Os sionistas transformaram Safad em um gueto.
Colonos, que enfrentam dificuldades em criar laços com a terra e os povos onde vivem , falando de raízes, é pura hipocrisia.
A bula dos rabinos de Israel mostra a crise que uma sociedade racista e colonialista enfrenta para se afirmar e auto-definir.
O racismo, discriminação, expansionismo e militarismo são instrumentos indispensáveis não apenas para construir essas comunidades coloniais, como também para mantê-las.
A discussão sobre o decreto religioso envolveu vários setores da sociedade israelense: religiosos e seculares, da esquerda e da direita. Os rabinos ditos moderados emitiram opinião que se mostrou tão racista quanto à dos extremistas.
Um dos rabinos considerados moderados, Haim Drucman, tentou amenizar os efeitos das declarações dos rabinos favoráveis aos pogroms contra os palestinos dentro de Israel.
Segundo Drucman, “é necessário diferenciar entre árabes leais ao Estado Judeu e árabes não confiáveis”. “Os primeiros devem ter direitos e devem ser tratados de forma diferente, mas os outros devem ser expulsos”. O rabino não explicou como ser leal a um Estado, que exclui e se define como não seu, exclusivo de outro grupo.
A minoria árabe-palestina do Estado judeu (25%) é considerada uma ameaça, “a bomba demográfica” e a única solução, segundo muitos políticos sionistas é a expulsão dos palestinos.
Israel não é Estado de todos os seus cidadãos, como qualquer outro Estado normal do mundo, mas Estado de uma parcela da população, cidadãos judeus. Os árabes em Israel são cidadãos de terceira categoria, tratados como estrangeiros na sua própria terra, e temem a toda hora serem expulsos de suas casas.
O que Israel quer de fato é a redefinição de conceitos humanos básicos, como liberdade, direitos humanos, cidadania, igualdade e fraternidade.
A ideologia sionista pode ser definida como nazi-sionista, uma vez que baseia-se nos mesmos fundamentos nazistas da pureza racial e mito da supremacia e separação total entre grupos e etnias diferentes. O decreto do rabinato é irmão das leis de Nuremberg.
Em um artigo publicado no jornal Israel Hoje, em 13/12/2010, a jornalista Amona Alon, sugeriu que é obrigação de Israel mostrar ao mundo que a desigualdade não é discriminação, mas apenas reflexo de diferenças entre povos diferentes. Os brancos da África do Sul não foram tão longe.
Segundo a jornalista, as medidas tomadas por Israel, para forçar seu caráter de exclusividade judaica, são necessárias e justificáveis, mesmo contrariando os ideais liberais. O que a jornalista sugere é que os judeus em Israel tem direitos que os não judeus não podem ter. Fim da isonomia. Sua lógica é distorcida, racista, retrógrada e oportunistas, já que certamente se qualquer outro Estado tomasse essas medidas discriminatórias contra os seus cidadãos judeus, seria acusado de crime, racismo, perseguição anti-semita.
Em resumo, a lógica israelense se funda nas seguintes asserções:
1º Tenho direito de ser racista e o mundo deve aceitar isso, porque é a maneira da minha auto-afirmação;
2º É direito meu praticar a discriminação contra os árabes cidadãos de Israel, porque é a única forma de manter o caráter de exclusividade judaica do Estado.
3º É meu direito viver em guerra permanente, já que é a garantia da minha existência, porque a paz verdadeira é justa e isso representa ameaça a meus privilégios.
4ª Matar e causar sofrimento é a única maneira encontrada por Israel para sobreviver, já que precisa subjugar a população nativa, para manter seus privilégios.
Isso não é lógica, isso é patológico! Essas anomalias e taras ameaçam o mundo!
Abdel Latif Hasan Abdel Latif, palestino, médico.

1 de dezembro de 2010

Informação aos amigos, amigas, internautas e demais (des)interessados

Gostaria de pedir desculpas aos freqüentadores do blog pela pouca freqüência de postagens, como quebrei o braço (imagino que todos saibam), tenho asma  (que anda atacada ultimamente) e estou com um problema na coluna, gostaria de salientar que isso tudo aliado ao fato d´eu não ter uma perna e ainda não estar recebendo do INSS (palhaçada) tem dificultado de verdade minha vida, a porra do meu braço tem doído muito, não tenho entrado na net, não tenho ido à faculdade, não fui a reuniões, grupos que participo, não fui à reunião da Ardidos do Pimentas, não fui ao Pacaembu, como havia marcado com o pessoal da Unifesp, não fui às assembléias estudantis e enfim, não fiz porra nenhuma, tenho ficado em casa direto, está uma merda até pra escrever este rascunho de pedido de desculpas, o pai de um amigo teve problemas de saúde e não pude fazer nada, isso é oque mais me incomoda, não pude apresentar o seminário de Brasil V, sei lá, enfim eu to na merda, de qualquer forma, apesar de ser ATEU convicto, todos estão liberados para realizar qualquer mandinga, chuta urucubaca, oração, reza e cia, to aceitando até sal grosso... mas não conta pra ninguém... de qualquer forma, assim que possível volto à ativa, segundo meu médico (da fratura do escafóide) algo entre 3 e 12 meses...

ah, logo mais vou colocar aqui uma breve resenha e recomendação de leitura do último livro que li (Como me tornei estúpido) bom livro, gostei mesmo...
té mais galera

Reunião do Comitê de Luta Pelo Transporte Público


Reunião: 04/12/2010 (Sábado), às 15:00hrs.
Local: SINPRO  Rua Maria Lucinda, 53 - Vila Zanardi -Guarulhos.

Proposta de pauta:
> Aniversário de Guarulhos
  • Dupla função
  • Terminais
  • Valor da tarifa: AUMENTOU?

> Próximas ações;
> Outras propostas, enviem para o email.


Obs.:  Levem propostas de textos, dados sobre as propostas de pauta, façam a convocação a outros/as camaradas.

Blog: valordatarifa.blogspot.com

Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino, declaração do Dep. Ivan Valente do PSOL / SP


Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados,
Participei ontem, na Assembleia Legislativa de São Paulo, de um ato político organizado pela Frente em Defesa do Povo Palestino. Há exatos 33 anos, era aprovada a resolução 32/40 da Organização das Nações Unidas que definiu o 29 de novembro como Dia Internacional de Solidariedade ao Povo Palestino. Neste mesmo dia, 30 anos antes – portanto, em 1947 – , a mesma Assembléia Geral da ONU aprovava a Resolução nº 181, que decidiu pela partilha do território da Palestina histórica para o estabelecimento de um Estado judeu e um árabe, sem qualquer consulta aos habitantes locais.
Assim nasceu o Estado de Israel, sem que o mesmo fosse assegurado ao povo palestino, o que levou à expulsão de mais de 700 mil pessoas de suas casas e à destruição de centenas de vilarejos. Em 1948, quase a totalidade das terras palestinas (94%) foram tomadas militarmente pelo Estado de Israel. Hoje mais de seis milhões de palestinos vivem em campos de refugiados espalhadas pelos países árabe e mundo afora. Ainda hoje, Israel controla 65% da Cisjordânia e 40% da Faixa de Gaza, com seu exército e sua força paramilitar, os colonos, implementando um regime de terror.
Seis décadas depois, a região é assim marcada pela ocupação mais longa do período contemporâneo, aprofundada sob a marca do desrespeito aos acordos e tratados internacionais. Nas últimas décadas, foram inúmeras as resoluções adotadas, com base na Carta das Nações Unidas e na Lei Internacional, incluindo a lei humanitária internacional, que até hoje não foram implementadas devido à recusa e intransigência de Israel.
Desde 2002, um muro da vergonha corta a Cisjordânia ao meio. Os checkpoints e assentamentos sionistas se multiplicam. Estradas proibidas ao trânsito de palestinos são símbolos do apartheid que se configura no território ocupado. Em Gaza, 1,5 milhão de pessoas se espremem em 360km2, vítimas de um bloqueio criminoso que tem como resultados principais a fome e a miséria da população. Este ano, o mundo presenciou indignado o covarde ataque de soldados israelenses à frota humanitária que buscava, justamente, levar remédios e medicamentos a este povo. Tamanha barbárie não foi suficiente, no entanto, para por fim ao bloqueio à Faixa de Gaza.
Por trás das ações do exército de Israel está o financiamento dos bancos sediados em Nova York e a manipulação da cobertura jornalística das grandes redes de TV. Tudo respaldado pelo apoio explícito do império dos Estados Unidos.
É por isso, senhor Presidente, que neste dia 29 e ao longo desta semana ocorrem inúmeras manifestações de solidariedade e apoio à luta do povo palestino em todo o mundo. E também aqui no Brasil. É um período para chamar a atenção do planeta de que todos os direitos inalienáveis do povo palestino têm sido desrespeitados, como à autodeterminação, à saúde, à educação, ao ir e vir.
É um momento também para cobrar uma resposta consequente da comunidade internacional para a drástica situação na Palestina, com a realização de ações concretas que de fato levem à mudança dessa realidade. Não podemos manifestar nossa solidariedade apenas nos momentos em que ocorrem as grandes tragédias. É preciso afirmar permanentemente que só haverá paz no Oriente Médio com o reconhecimento do direito ao povo palestino a um Estado livre e soberano. Um povo que há 63 anos resiste heroicamente ante todas as arbitrariedades, de humilhações a bombas e torturas legalizadas.
Afirmamos também que não é possível consagrar nenhum processo de paz ante as campanhas colonizadoras israelenses. De fato, senhoras e senhores deputados, os assentamentos sionistas são mais uma, diante de tantas outras, flagrante e agressiva manifestação da ocupação de Israel.
Por tudo isso, nesta data histórica, fazemos questão de manifestar, mais uma vez, nosso compromisso com esta luta. Viva a resistência do povo Palestino! Palestina livre!
Muito obrigado.



Ivan Valente
Deputado Federal PSOL/SP