23 de março de 2011

AGORA - Ato Antinuclear - SP, RIO e Salvador


São Paulo, março de 2011 - O mundo assiste apreensivo ao sofrimento do Japão causado por desastres naturais e agravado pela escolha errônea do país em investir em reatores nucleares para a geração de energia elétrica. Mais de 160 mil pessoas em um raio de 20 km da central nuclear de Fukushima tiveram que ser evacuadas, deixando para trás suas casas, cidades e histórias. Uma semana depois do terremoto e do tsunami, as autoridades japonesas ainda não conseguiram controlar os vazamentos radioativos da usina e a situação tende a se agravar. Estima-se que o entorno de Fukushima deva permanecer inabitado por no mínimo 5 anos.
Para prestar solidariedade às vítimas e mostrar ao governo que a sociedade brasileira quer a suspensão das obras da usina Angra 3 e o fim do Programa Nuclear, ativistas e organizações da sociedade civil estão organizando um ato público agendado para o próximo dia 23, quarta-feira,  das 18h às 22h em São Paulo, na Praça da Liberdade, Rio de Janeiro, na Sede da Eletrobrás e Salvador, próximo ao Elevador Lacerda. A manifestação é aberta e será uma vigília pacífica com flores e velas.
E o Japão vai precisar de muita solidariedade mesmo. A apreensão e sofrimento do povo japonês vão durar mais do que se pode imaginar. A história mostra que acidentes deste tipo acarretam danos por tempo indeterminado. No acidente de Three Mile Island (EUA-1979),  estrôncio – que contamina o leite das vacas e não desaparece por 300 anos - foi detectado a 220 quilômetros do reator. Já em Chernobyl (Bielorrússia -1986), houve um derretimento do núcleo do reator e a faixa de águas subterrâneas contaminadas está aos poucos expandindo-se até cerca de 130 quilômetros ao redor da usina, atingindo países vizinhos como a Alemanha. No Japão, a gravidade do desastre radioativo pode ser ainda maior.
“O acidente de Fukushima deixa claro: Quando se trata de energia nuclear, não há segurança nem transparência suficiente”, denuncia Rebeca Lerer, ativista antinuclear e diretora de conteúdo da Matilha Cultural. “Não podemos ficar parados! Esse é o momento de pressionar o governo brasileiro a seguir o exemplo da Alemanha e da China, que estabeleceram moratória aos projetos nucleares em seus países por conta do desastre no Japão”, completa.
No Brasil, os riscos também existem. O Programa Nuclear Brasileiro, criado durante a ditadura militar, é caro, inseguro e protegido por leis de sigilo. Em 2007, a decisão do governo Lula de retomar as obras da usina Angra 3 foi tomada sem transparência, sem consulta pública e sem a aprovação do Congresso Nacional, em flagrante desacordo com a Constituição Federal. A construção de Angra 3 apresenta sobrecustos, conta com altos subsídios públicos, está sendo realizada com base em um licenciamento ambiental incompleto e sem melhorias no plano de emergência para a região do município de Angra dos Reis (RJ).
Acidentes são negados e vítimas não são reconhecidas ou indenizadas. O Brasil foi cenário de um dos maiores acidentes radiológicos do mundo. Em Goiânia, em 1987, mais de seis mil pessoas foram contaminadas com Césio 137, denunciando a falta de controle e segurança do setor nuclear sobre fontes radioativas. O programa nuclear vitimou e ainda vitima muita gente em todo o ciclo da produção da energia nuclear no país, começando com a mineração do urânio e produção do combustível, irregularmente feita em Poços de Caldas (MG) e na mina de Caetité (BA), aonde já se comprovou a contaminação radioativa da água potável.
"A forma como o Programa Nuclear Brasileiro é gerenciado demonstra extrema falta de respeito e de responsabilidade com a população. Quanto mais dinheiro público for investido nessa tecnologia, maiores serão os riscos para todos os brasileiros”, disse André Amaral, ativista anti-nuclear e diretor da EcoGreens. “E estamos falando do Brasil, um país com potencial para gerar  duas vezes mais eletricidade do que seu consumo atual apenas através da energia dos ventos, que já é muito mais barata que a nuclear”, sinaliza.
A sociedade também se mobiliza para pedir a aprovação urgente do Projeto de Lei de Energias Renováveis (630/03), parado no Congresso Nacional há mais de um ano. Com a aprovação da Lei, seriam criadas condições fiscais, econômicas e estruturais para o estabelecimento de uma indústria de energias limpas no Brasil. "É hora de cobrarmos transparência no setor energético brasileiro, exigir investimento em fontes limpas, seguras e renováveis para garantir a redução das emissões de gases que provocam o aquecimento global e evitar o uso de tecnologias perigosas e poluentes como a nuclear”, conclui Paula Collet, coordenadora da 350 Brasil.


Ato Antinuclear
Dia: 23 de março de 2011, das 18h às 22h

Locais:
- São Paulo/ SP - Praça da Liberdade, próximo ao Metro Liberdade
- Rio de Janeiro/ RJ - Sede da Eletrobrás, Av Presidente Vargas, 403 - Centro
- Salvador/ BA - Praça Municipal, próximo ao Elevador Lacerda e Prefeitura

 

Um comentário:

  1. Verdade sidão, um pais com tata alternativa como o nosso não ten que ter mais usinas atomica, a pesquisa eu entendo. precisa, mas angra3 não!

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