4 de novembro de 2011

Palestra sobre a situação da Palestina com Abdallah Abu Rahmah, militante palestino recem libertado de uma prisão política israelense

Em Mogi das Cruzes, a palestra acontecerá em dois locais:
 
a primeira às 14 horas na Mesquita (Av. Henrique Eroles, 200 - Alto Ipiranga);
a segunda será às 18 horas na sub sede da APEOESP de Mogi das Cruzes (Rua Barão de Jaceguai, 84 - Centro)
 
A Palestina vista de dentro - relatos de quem vive a Nakba

 A palestra é dividida em duas partes. Na primeira delas, falo sobre a ilegalidade e a ilegitimidade da partilha de 1947, das pressões dos sionistas, dos bastidores (terríveis) na ONU para a aprovação do projeto sionista. Também falo sobre as consequências de Nakba e Naksa, com base em tudo que vejo e vivo na Palestina. Introduzo o tema das lutas populares e passo a bola para o Abdallah, que faz um histórico dessas lutas e conta sua experiência em Bil'in e como coordenador das ações da campanha nacional Palestine: State 194; fala também sobre a filosofia que embasa as ações não violentas, sobre a importância do apoio internacional, de como Bil'in conquistou espaço na mídia e de como, pacientemente, venceu o governo de Israel. Também fala do cenário geral da resistência não violenta palestina, seus desafios, suas conquistas, seus projetos; da campanha BDS e de seus resultados práticos; das condições atuais dos presos políticos (foi um deles). Engatamos nos ataques dos colonos e em tudo que Israel ganha com a ocupação, montante que sobe pela exploração dos recursos naturais palestinos (como o gás de Gaza).
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Abdallah Abu Rahmah, o mais destacado líder da resistência não violenta da Palestina, nasceu em Bil'in, vila a 17 km de Ramallah, onde vive até hoje. Filho de agricultores, teve uma infância difícil. Quando menino, para ajudar os pais, trabalhou como pastor de cabras e ovelhas. Mais tarde, como prático em veterinária, cuidou da saúde dos animais de Bil'in. Bem-sucedido nessa atividade, ganhou nela o dinheiro necessário para pagar seus estudos na Birzeit University, a melhor universidade da Palestina. Graduou-se em Língua e Literatura Árabes e é mestre em Estudos Árabes. Participou, ainda adolescente, da primeira Intifada, e, mais tarde, da segunda Intifada. Trabalhou como professor até ser preso, em 2009, sob a acusação de liderar as manifestações não violentas de Bil'in. Libertado em meados de março de 2011, passou a dedicar-se a suas plantações de oliveiras, em Bil'in, e a palestras internacionais, para as quais é sempre convidado. Já esteve em várias cidades do Uruguai, da França, da Itália e da Alemanha como palestrante, mostrando a narrativa palestina sobre o conflito imposto ao país por Israel e o papel, nessa narrativa, das lutas populares não violentas. Contrariando as determinações do governo de Israel, que depois da prisão o proibiu de participar da resistência à ocupação, ele mantém seu papel de líder político popular e continua na luta palestina por direitos, justiça e liberdade.

Baby Siqueira Abrão, jornalista e autora de livros sobre filosofia, mitologia grega e divulgação científica, nasceu na Liberdade e cresceu na Freguesia do Ó, bairros da capital paulista. Desde menina se indignava com a pobreza da periferia paulistana, com a injustiça que produzia a miséria, com o autoritarismo que impedia o livre desenvolvimento e a livre expressão das mulheres, e isso acabou por levá-la muito cedo à militância política. Ainda adolescente, participou da resistência à ditadura militar brasileira. Em abril de 2011, atendendo convite de Abdallah Abu Rahmah, viajou à Palestina, para participar da 6a. Conferência Internacional das Lutas Populares Não Violentas e para passar dois meses fazendo pesquisas para seu projeto de doutorado, sobre as consequências da partilha da Palestina. Mas decidiu permanecer lá e hoje é correspondente no Oriente Médio do jornal Brasil de Fato e do site de notícias Opera Mundi, colaborando também com o site Carta Maior e com a revista Caros Amigos. Além de reportagens, faz análises políticas sobre aquela parte do mundo. Como jornalista, seu objetivo é abrir espaço na mídia brasileira para noticiar e comentar o que acontece na Palestina. Como autora, tem três livros sobre a Palestina em projeto. Como acadêmica, dispôs-se a pesquisar e a refletir sobre a tragédia palestina como símbolo da resistência popular contra o estado de terror imposto por grupos que lucram com a guerra, com a militarização dos espaços físicos e psicológicos individuais e públicos, com a colonização de terras e mentes, com ameaças político-econômicas, com a destruição de culturas, com a ocupação dos corpos, dos sentimentos e da vida.

Nossa ida ao Brasil é patrocinada pela Embaixada da Palestina no Brasil (embaixador Ibrahim Alzeben), que desde o início do projeto nos deu apoio integral.
Abdallah Abu Rahmah e um policial israelense
 
Video da Libertação de Abdallah Abu Rahmah: Clique aqui

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