18 de fevereiro de 2013

Poema: "O muro" de Felipe Martins da Silva

 
"O muro"
 
O muro da fronteira
sisudo e mudo
É o purgatório.
Limite entre o inferno
e o inferno.
Dois ciclos (ou mais).
O muro
Dividiu a crença,
A água e os grãos.
Grãos aos montes
nas praças
nas calçadas
nos casamentos
Das aves eleitas,
que transitam
-só estas-
Pelos ares prometidos.
A terra foi rompida,
os ares não.
Nenhuma pomba branca,
Pomba, bomba
o fósforo branco.
Inseto de pólvora,
amarelo cardo,
tons de terra seca,
de terra embebida
em sangue-anêmico
Sangue de Sião
Povo do terror,
do pau-e-pedra,
dos sapatos-bomba.

O muro avança.


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Felipe Martins da Silva
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